Secovi diz que especulador imobiliário é a titia… e Luis Nassif engole calado…


É lamentável que tenhamos mais um programa jornalístico pago como nosso dinheiro público para falar mal do povo e dar voz apenas aos tubarões da especulação imobiliária.
No programa “Mudanças na caderneta de poupança” (Brasilianas, da TV Brasil, 16-04-2012), o economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo), Celso Petrucci, disse,com todas as letras, que o especulador imobiliário é a titia…

O economista-chefe do Secovi chegou a pedir que as prefeituras reajam de uma forma rápida e forte contra o aumento dos ganhos nas vendas dos terrenos, citando especificamente o caso da cidade de São Paulo; além disso, indica a necessidade de se aumentar o estoque de “outorgas onerosas” (aumento do potencial de construção em áreas já saturadas)…
Seria por isso que a AIB (Associação Imobiliária Brasileira) – ligada a diretores do Secovi – ajudou a bancar eleições de vereadores e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab? Para que eles aprovassem leis em que a prefeitura desapropria, usando dinheiro público, os locais de maior interesse das imobiliárias e das construtoras? A exemplo da Operação Nova Luz e da Operação Urbana Água Espraiada? Desapropriações segundo interesses das próprias empresas especuladores e que vão ficar com o lucro futuro da revenda ou utilização do novo local reurbanizado? Vejam o resumo de duas notícias esclarecedoras:

Imobiliárias de SP driblam lei para ocultar doadores
Folha de São Paulo – 14/04/2009

O setor imobiliário de São Paulo, coordenado pelo Secovi, o sindicato da categoria, usou uma entidade para driblar a legislação eleitoral –que proíbe doações de sindicatos– e ocultar os verdadeiros responsáveis pelas doações feitas pelo setor

Justiça multa AIB em R$ 30,8 mi por doação irregular a Kassab e vereadores
(Folha de São Paulo, 26/11/2010)

A AIB (Associação Imobiliária Brasileira) foi condenada a pagar R$ 30,8 milhões por ter ajudado a bancar eleições de vereadores e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).
A entidade virou alvo de uma ação judicial após fazer doações ilegais no valor de R$ 5,8 milhões, segundo o Ministério Público de São Paulo. O montante é ainda maior para a Justiça Eleitoral: R$ 6,1 milhões. O esquema foi revelado pela Folha em 2009.
(…)
Em sua decisão, o juiz Silveira afirmou que a AIB é “um simulacro de associação, que não tem atividade própria, funcionários e nem mesmo associados há, o que foi confessado por seu representante legal”.
A entidade teria cometido “uma verdadeira fraude à lei, justamente para encobrir doações de eventuais fontes vedadas [como sindicatos]”, disse Silveira.

Por que a imprensa não cobra do Secovi qual é a sua participação efetiva nos diversos conselhos gestores das operações urbanas (“Faria Lima”, “Água Branca”, “Nova Luz” e “Água Espraiada”)? Como explicar que estas operações gastaram milhões de reais do dinheiro público para favorecer tão somente a especulação imobiliária e trouxe raros ou nenhum benefício social para os moradores nas respectivas regiões? Será que a imprensa também tem medo de perder as verbas milionárias dos anúncios das construtoras e das imobiliárias?

Um jornalismo independente e democrático ouviria não só os representantes dos bancos e das imobiliárias, mas também os moradores e as associações de moradores das áreas atingidas pelas operações urbanas… Por que não ouvem a Associação de Moradores da Pompéia (“Operação Água Branca”), ou o Consabeja Jabaquara, Conselho Coordenador das Associações Amigos de Bairro do Jabaquara e Adjacências (“Operação Água Espraiada”), ou a Associação dos Comerciantes da Santa Ifigênia (“Operação Nova Luz”)? Quem tem medo de ouvir as “titias”, as “vovós” ou as associações de moradores é porque deve estar de rabo preso com a especulação imobiliária.

São Paulo (por enquanto), 20 de abril de 2012.
Mauro Alves da Silva.
Movimento Jabaquara Livre
http://JabaquaraLivre.wordpress.com/

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Arquivado em Água Espraiada, Câmara dos vassalos, Folha de São Paulo, Jabaquara, Kassab, República dos Coronéis

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