História do Jabaquara.

Até o final da década de 1920 toda a área hoje correspondente à Administração Regional do Jabaquara (AR -JA) era escassamente povoada e apresentava características marcadamente rurais. Apenas chácaras esparsas se destacavam em meio a extensas superfícies não ocupadas. O “Caminho do Carro”, antiga via de ligação entre São Paulo e Santo Amaro, aberta durante o período colonial para permitir q tráfego de veículos de tração animal, atravessava a região do Jabaquara. Com início no bairro da Liberdade, seu traçado coincidia com o das atuais avenidas Vergueiro, Domingos de Morais e Jabaquara, cruzando em seguida os terrenos onde hoje se localiza o aeroporto, atingindo Santo Amaro após atravessar os atuais Campo Belo e Brooklin.

Entre 1886 e 1913 circularam os trens a vapor de uma pequena ferrovia que ligava Vila Mariana a Santo Amaro, e cujos trilhos foram implantados sobre o leito do antigo Caminho do Carro. O modesto núcleo de moradias que se estabelecera em suas proximidades, em função de uma capela erguida em homenagem a Santa Catarina, não foi capaz de ‘desempenhar’ o papel de pólo aglutinador do povoamento na região. Permaneceu isolado, sobretudo após a desativação da linha férrea. E a linha de bondes elétricos implantada pela Light and Power Co. em 1906 passava ao largo da região, pois seguia mais a oeste, num trajeto em linha reta que ia desde a rua Tutóia, na Vila Mariana, até o centro de Santo Amaro. A posterior linha Jabaquara, que à época de sua inauguração avançava além dos limites da zona urbanizada, apenas tangenciava a atual AR-JA.

Podem ser considerados como marcos iniciais, do processo de ocupação urbana na região a abertura, em 1928, da auto-estrada Washington Luiz, ligando Vila Mariana aos loteamentos suburbanos localizados às margens das represas, bem como a instalação do aeroporto de Congonhas em 1936. A valorização do preço da terra propiciada por estes melhoramentos incentivou a abertura de loteamentos (Jardim Aeroporto, Vila Mascote, Vila Santa Catarina, Vila Parque Jabaquara), que permaneceram, no entanto, praticamente desocupados ou apenas formando núcleos isolados até os anos 50. Esses bairros, que se localizam ao redor do aeroporto de Congonhas, estruturaram – se a partir de então, como zonas residenciais de classe média.

A ocupação das áreas situadas mais ao sul (ainda que alguns arruamentos datem da década de 40), ocorreu com maior intensidade a partir dos anos 60, quando a região do ABC transformou-se no principal pólo industrial da metrópole. O Jabaquara tornou-se zona de passagem para inúmeras linhas de ônibus que passaram a fazer a ligação entre aquela zona industrial e os bairros mais centrais da cidade. O processo de ocupação então desencadeado, já sobre o cenário de formação da faixa periférica de São Paulo, caracterizou-se pelos precários padrões de urbanização. Bairros como Cidade Vargas, Vila do Encontro, Vila Fachini, Vila Campestre e Americanópolis passaram a ser ocupados por uma população de recursos modestos, que na maioria das vezes, valeu-se do sistema de autoconstrução para erguer suas moradias em lotes de pequenas dimensões. A precariedade do padrão urbanístico nessa área é marcante, sobretudo nas encostas de declividade acentuada e nos fundos de vale, geralmente ocupados por favelas.

Uma área considerável do distrito do Jabaquara foi afetada, a partir da década de 1970, por significativas transformações no uso e ocupação do solo, em decorrência da implantação da linha norte-sul do metrô. São duas as estações na área em foco: Conceição e a estação terminal do Jabaquara, interligada a um terminal rodoviário. A valorização imobiliária ocorrida ao longo da linha do metrô e no entorno das estações levou a um verdadeiro processo de reorganização urbana. A verticalização de zonas residenciais como Vila Guarani, ocasionou o adensamento de sua ocupação, bem como a alteração de seu perfil sócio-econômico, como conseqüência da expulsão dos antigos moradores e de sua substituição por segmentos de renda mais elevada. Estruturaram-se ao redor das duas estações, nas imediações da avenida Eng. Armando de Arruda Pereira, zonas típicas de comércio e serviços, ocupadas por edificações de grande porte.

O tradicional comércio varejista de bairro, que atende a uma clientela de âmbito local, concentra-se ao longo de algumas vias da região. Além da já citada avenida, apresentam uso comercial mais intenso a avenida Santa Catarina, a avenida Eng. George Corbisier e a avenida Pedro Bueno e rua Tamoios, estas duas últimas sediando serviços relacionados à presença do aeroporto. Vale ressaltar, por outro lado, que não é desprezível a presença de estabelecimentos da indústria de transformação na AR-JA, sobretudo no distrito do Jabaquara, onde se localizam cerca de 320 estabelecimentos industriais, espacialmente dispersos. Ainda que 95% deles seja classificado, como de pequeno porte (possuem de 5 a 99 empregados), oferecem em seu conjunto cerca de 10.700 postos de trabalho. Esses números correspondem a 2,0% do total de estabelecimentos industriais de transformação existentes no Município e a 1,2% do total de postos de trabalho oferecidos no setor. Apenas a título de comparação, no distrito municipal de Santo Amaro, um dos mais industrializados da cidade, encontram-se 2,9% dos estabelecimentos industriais do Município e 6,5% dos postos de trabalho no setor (ali, fica evidente, têm maior peso os estabelecimentos de médio e grande porte). Dada a ausência de glebas que permitam a instalação de indústrias de maior porte e à inexistência de zonas de uso predominantemente industrial (Z-6) na AR-JA, não são previstas grandes alterações no perfil industrial da região.

Quanto à cobertura proporcionada pelas redes de infraestrutura urbana (dados relativos a 1990, provenientes das seguintes fontes: Sabesp. SVP/Ilume, SF e Sempla), a região administrativa do Jabaquara pode ser considerada bem atendida, quer pelos serviços de água encanada que cobrem 100% das vias públicas, quer pelo de esgotos, que atinge 90% das vias no distrito do Jabaquara e 95% no de Campo Belo-b. Percentuais semelhantes são observados quanto às vias servidas por iluminação pública (95% no Jabaquara, 97% em Campo Belo-b) e por pavimentação (90% no Jabaquara, 95% em Campo Belo-b).

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